Resumo das apresentações e dos destaques do congresso da ISA, por Ben Woltering

O 18.º Simpósio Internacional sobre Amiloidose, «ISA», por Ben Woltering.

Este simpósio decorreu de 4 a 8 de setembro de 2022 em Heidelberg, na Alemanha.

É um congresso mundial sobre a amiloidose destinado a todos os profissionais de saúde, investigadores e à indústria farmacêutica, realizado de dois em dois anos num ponto diferente do mundo.

Este ano, decorreu na Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Reuniu cerca de 1100 participantes de mais de 50 países e, graças às boas relações entre a ISA e a Aliança, esteve também presente um número limitado de doentes.

Todos acompanharam em direto (25% online) as sessões, que duravam o dia inteiro, e debateram as ideias mais recentes e mais promissoras para combater todos os tipos de amiloidose.

Foi um trabalho intenso, mas houve também momentos agradáveis: receção de boas-vindas, jantar do congresso, cerimónia de entrega de prémios e, claro, tempo para trocar contactos.

Um programa muito interessante

Foi muito interessante descobrir todos os medicamentos em desenvolvimento para estabilizar, curar ou até fazer regredir a doença. Houve muitas comunicações orais e conferências sobre este tema. Todos os tipos de amiloidose foram abordados.

Muitos dos participantes eram jovens investigadores muito promissores.
Apresentaram muitas vezes trabalhos de investigação fundamental muito importantes, sob a forma de pósteres (309 apresentações!). Em comparação com os encontros anteriores, o interesse pelo ADN e pelas técnicas imunológicas foi muito maior. Por exemplo: o envelhecimento passa também pelo envelhecimento do sistema imunitário (linfócitos T, macrófagos). Outro exemplo: a terapia génica dirigida (CRISPR-Cas9) poderá levar a uma regressão >95%.

Encontra abaixo outros resultados e pontos importantes.

Alguns temas de investigação fundamental:

A genética como fator de risco de desenvolver amiloidose.
A N-glicosilação da cadeia leve tem um papel na amiloidogenicidade?
Indícios de cardiotoxicidade das cadeias leves na amiloidose AL
O colagénio associado à amiloidose AL inibe a fagocitose das fibrilhas

Alguns temas de investigação clínica:

A inteligência artificial e a aprendizagem automática começam a surgir nos processos de diagnóstico.
Os genes como fator de risco de desenvolver a doença, como fator de prognóstico (AL) e como guia para o tratamento.
Um conceito emergente na amiloidose AL: a doença residual mínima ou mensurável (MRD)
A cadeia leve dos neurofilamentos, biomarcador sérico da neuropatia
Uma maior rigidez hepática é um marcador de envolvimento amiloide do fígado.
A imagiologia da amiloidose: no diagnóstico, na avaliação da gravidade e na monitorização.
O 1241-AT01, um novo marcador promissor na amiloidose

Tratamentos novos ou possíveis:

• AL: inibidor de BCL-2 venetoclax, belantamab mafodotina (anti-BCMA), CAR-T anti-BCMA, CAEL-101, elotuzumab (liga-se ao SLAMF7), isatuximab (anticorpo monoclonal anti-CD38)
• ATTR: glavonoide (óleo de flavonoides derivado do alcaçuz), estabilizador natural do tetrâmero, eplontersen (antissentido), acoramidis (AG10, estabilizador), NNC6019-0001 (anticorpo que se liga a toda a TTR exceto a TTR nativa)
• Todas as amiloidoses: anticorpos, por exemplo birtamimab (NEOD001), AT-2 e AT-4 (péptidos de fusão que se ligam a todas as substâncias amiloides), macrófagos com recetor de antigénio quimérico (CAR-M), possível via terapêutica para eliminar a substância amiloide
• Cuidados de suporte: droxidopa (pró-fármaco da noradrenalina) para a hipotensão ortostática, inotrópicos por via intravenosa, transplante cardíaco na amiloidose ATTRwt

Um simpósio sobre a amiloidose bem-sucedido

Por fim, todos os participantes concordaram que foi um simpósio fantástico e bem-sucedido, muito bem organizado e acolhido pelos professores Schönland & Hegenbart.

Aguardamos todos com expectativa o próximo encontro da ISA, em Rochester (Estados Unidos), em junho de 2024.

Este resumo baseia-se também em informações do Dr. Bouke Hazenberg.

 

Ben Woltering